2 de novembro de 2015

DIA 35 - VARINHAS DE MARMELEIRO, OVELHAS E A DªF., QUE ESTÁ EM TODO O LADO


Subia as escadas, a custo, e a D.ªF., sempre alerta no seu posto de vigia, aventou-me um cumprimento. Virei o corpo todo, desde logo, porque gosto de estar inteira em tudo o que faço, e depois, porque as pontadas no dorso e no pescoço eram de tal ordem, que não conseguia virar-me como uma pessoa normal, um esforço sempre presente nos meus dias, mas que raramente tem sucesso. Será, portanto, um esforço  inssucedido, diria eu, se fosse a Mariazinha da Assembleia. 
Vendo-me naquele estado, a D.ªF. , não a Mariazinha, atira logo a graçolas: 'Tã pressora e um marmelêre? Perspicaz como sou, percebi logo que ela não me estava a perguntar pela árvore que dá os marmelos e muito menos a sugerir-me que arranjasse uma. O que ela queria, sabia-o eu bem, por isso, respondi-lhe: "Não será a varinha do marmeleiro??" A D.ª F. sorria por todo o lado. Imagino que imaginou toda a cena: eu, toda escaqueirada, a levar com uma varinha de marmeleiro nos costados, que era p'a ver se as dores passavam. 
A D.ª F. é uma doçura de pessoa.
Encaminhei-me para a sala. A aula era a última do dia, e depois de algumas horas intermináveis a ouvir moços, senti que a paciência estava, tipo, mesmo no limite. 
Robótica, palavra escolhida por um jovem aluno da aula da manhã para descrever a triste figura que fiz ao tentar escrever no quadro, lá me dirigi para a sala. O problema é que ninguém se consegue dirigir para uma sala, assim, numa só frase. Seriam necessárias páginas para descrever o que é o percurso pelo já famoso corredor. De pasta numa das mãos e guarda-chuva na outra, receava o momento em que alguma alminha, vinda sabe-se lá de onde, me cairia em cima, esmagando-me de vez as costelas, o que seria uma situação aborrecida, como calcularão. Vai daí, decidi pôr em marcha um mecanismo de defesa: afastar os moços com a sombrinha, que era o cajado e, no imediato, dei por mim pastora, a percorrer os campos, guardando o meu rebanho de ovelhas manhosas.



2 comentários:

  1. candida11/05/2015

    Já estive num corredor bastantes anose sei bem do que fala... Qual rebanho qual quê. Quando ouvi falar em marmelos pensei mesmo que ia falar de marmelada doces . Há por aí algumas colegas a fazer mas repartir que é bonito nada. As prof R que dá a maioria das aulas na Júlio a prof DM a prof DG...... Quem sabe não vê o post e nos dão a provar os doces

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    1. Isso, garanto-lhe, D.ªC., vai ser tudo tirado a limpo!

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